“BRAILLE ZERO”: GOVERNO LULA ABANDONA ALUNOS CEGOS E INAUGURA ANO LETIVO SEM LIVROS ESSENCIAIS
O Brasil começa o ano letivo cometendo uma das mais graves violações educacionais das últimas décadas: mais de 45 mil alunos cegos ou com baixa visão estão indo para a escola sem livros didáticos em Braille, instrumento básico e insubstituível de alfabetização. A denúncia é da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva, e foi confirmada por um órgão do próprio governo federal. As informações são do jornal O Globo.
Segundo a entidade, pela primeira vez em mais de 40 anos do PNLD, o Estado brasileiro não garantiu cronograma, orçamento nem produção de material acessível para estudantes com deficiência visual. O resultado é devastador: 2026 começa oficialmente como o ano do “Braille zero” nas escolas públicas.
A gravidade da situação foi confirmada pelo Instituto Benjamin Constant, referência histórica na educação de pessoas cegas e órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC). O diretor-geral do instituto foi categórico ao afirmar que não haverá recursos para produzir nem distribuir livros em Braille ou em tinta ampliada em 2026, segundo informações repassadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
“Isso significa retirar do aluno cego a possibilidade de aprender plenamente. Sem Braille, você produz um déficit cognitivo grave e, em muitos casos, irreversível”, afirmou o diretor.
Não se trata de retórica: sem Braille, não há alfabetização real. Livro digital, áudio ou tecnologia assistiva não substituem o processo de leitura e escrita tátil, assim como Libras não substitui o português escrito para surdos.
O argumento orçamentário não se sustenta. O custo para atender todos os alunos cegos do país com livros em Braille é estimado em R$ 40 milhões — menos de 1% do orçamento anual do PNLD, que ultrapassa R$ 5 bilhões.
Ou seja: o governo escolheu não fazer.
Para a Abridef, a exclusão é política, não financeira. Ofícios foram enviados, alertas foram feitos, e nenhuma resposta objetiva foi apresentada. Enquanto isso, em janeiro, o Braille foi reconhecido como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco — e o Brasil segue na contramão do mundo civilizado.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam cerca de 45 mil estudantes cegos em idade escolar. O MEC, porém, reconhece apenas 7.321 em seus sistemas. Destes, menos da metade recebeu material adaptado em 2024.
Mesmo nos chamados “anos normais”, mais de 90% dos alunos cegos ficam fora da política pública. Agora, com o “Braille zero”, nem essa minoria será atendida.
Procurado, o MEC limitou-se a dizer que o FNDE “possui contratos vigentes” e que há um edital em andamento para a EJA. Não respondeu quando os livros serão entregues, nem explicou por que não há produção para o ensino regular.
É a mesma lógica que já levou, em 2025, à falta de nove milhões de livros didáticos para alunos do 6º ao 9º ano. Desde 2022, o PNLD sofre cortes, atrasos e adiamentos, enquanto o discurso oficial insiste em “prioridade à educação”.
O que acontece com os alunos cegos não é um “problema técnico”. É abandono institucional. É a prova de que, quando falta dinheiro — ou vontade política —, os primeiros a serem sacrificados são os invisíveis.
Sem livros em Braille, o Estado brasileiro está condenando milhares de crianças e jovens à exclusão educacional logo no início do ano letivo. Não por falta de recursos. Por decisão política.
Isso não é falha administrativa. É negligência grave.

