DEPOIS DE ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO, LULA É ELEITO PRESIDENTE
O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito Presidente da República neste domingo, 30 contra Jair Bolsonaro (PL), que disputava a reeleição. Jair Bolsonaro tornou-se o primeiro presidente da República do Brasil a não se eleger, depois do período pós-redemocratização.
Lula chega à Presidência com a votação mais apertada desde o fim do período do governo militar. A diferença para Bolsonaro foi voto a voto, e o petista obteve menos de 2% de diferença nas urnas neste domingo. Com o placar sacramentado, Lula é eleito para seu terceiro mandato como Presidente da República. Lula já foi presidente entre 2003 a 2010.
A chegada de Lula à Presidência se dá depois de um longo período que intercalaram denúncias de corrupção e até mesmo um tempo atrás das grades. Por determinação do agora eleito senador Sérgio Moro (União-PR), o petista ficou quase dois anos preso, em virtude de envolvimento em escândalos de corrupção. Lula saiu da prisão por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Diferentemente do que afirma, Lula não conseguiu a absolvição da Justiça.
Faltando pouco mais de 2,5% dos votos a serem apurados, o petista somava 50,8% do total de contos, contra 49,2%. Com 99,52% das urnas, Lula tinha 50,88% e Bolsonaro 49,12%. Isso significa uma vantagem de apenas 1,78 ponto percentual.
A disputa lembra a vitória de Dilma Roussef (PT), em 2014, contra Aécio Neves (PSDB), também em eleição muito apertada.
A disputa entre Lula e Bolsonaro foi a mais acirrada de sempre, confirmando basicamente o levantamento nacional do Paraná Pesquisas, divulgado na manhã deste sábado (29), mostrando empate técnico com leve vantagem de Lula. Foi exatamente o que aconteceu.
Mais uma vez o Nordeste foi fundamental para eleição do candidato petista. A região, predominantemente governada por governadores ligados ao partido e sua linha ideológica foi quem desequilibrou a balança em favor da candidatura do ex-presidente.
O presidente Bolsonaro foi majoritário em todas as outras regiões do país: sudeste, norte, centro-oeste e sul, somente no nordeste é que ele foi derrotado. Somente na Bahia, a vantagem do petista foi algo em torno de 3 milhões de votos, que acabou pesando a favor da candidatura das esquerdas.
O silêncio atém agora do Presidenteb Bolksonaro vem preocupando a cupla petista.
Segundo analistas políticos, Bolsonaro é a maior força política de oposição do país.
Mesmo sem mandato, nalisam, vai ser uma pedra incômoda no sapato de Lula. O chefe do Executivo conseguiu 58.206.474 de votos, contra 60.345.999 do petista, uma diferença de pouco mais de 2 milhões, tornando-o a maior força política de oposição do país.
Apesar de ter perdido ontem, o presidente da República elegeu dois governadores: o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e o senador Jorginho Mello, em Santa Catarina (PL) — além de oito, no primeiro turno. Bolsonaro ainda conseguiu eleger uma bancada majoritariamente liberal-conservadora, que deve ser resistência no Congresso.
O PL, escolhido pelo presidente para disputar a reeleição, teve um desempenho extraordinário. O partido conseguiu 99 deputados, a maior bancada da Câmara — performance só registrada no passado pelo extinto PFL, na década de 1990. No Senado, terá 13 cadeiras, também a maior bancada. Os números credenciam a legenda a disputar a presidência das Casas a partir do ano que vem.
Na Câmara, juntam-se ao PL outras legendas conservadoras, como o PP (47 deputados e 7 senadores) e o Republicanos (41 e 3). Se somadas as cadeiras de partidos que hoje formam o chamado “centrão”, como o União Brasil, o PSD, siglas nanicas e parte do MDB e do PSDB, desenha-se uma massa capaz de aprovar emendas à Constituição — que exigem quórum qualificado (três quintos dos deputados, o equivalente a 308 votos) —, abrir CPIs e comandar as principais comissões temáticas, como Comissão de Constituição e Justiça.
No Senado, a direita que Bolsonaro elegeu mudará a configuração da Casa. Em linhas gerais, para cada Randolfe Rodrigues (Rede-AP), haverá três conservadores na próxima legislatura. Isso significa, por exemplo, que o país não terá outra CPI nos moldes da CPI da Covid, de Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM) e grande elenco.
Outro ponto é que o resultado das eleições pode frustrar o plano de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para continuar na presidência da Casa. Nesta semana, Tereza Cristina (PP-MS) e Damares Alves (Republicanos-DF) já manifestaram o desejo de concorrer ao cargo. Nunca uma mulher presidiu o Senado.
A nova composição assustou especialmente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que também comandam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Senado é a única Casa com poder para conduzir processos de impeachment dos togados — nos últimos anos, dezenas de pedidos foram engavetados por Rodrigo Pacheco e seu antecessor, Davi Alcolumbre (UB-AP). O ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito perpétuo contra conservadores no Supremo, ignorou chamados para prestar esclarecimentos aos senadores neste ano.
Investidas de Lula enfrentarão resistência no Parlamento
A maioria das bandeiras de Lula precisa do aval dos congressistas. Mesmo com os milhões de votos do petista no primeiro turno, sua tropa de choque no Parlamento não será suficiente para garantir-lhe a governabilidade e cumprir todas as promessas a partir de 2023. Algumas de suas bandeiras, como a revogação da reforma trabalhista, do teto de gastos e outros retrocessos, enfrentarão resistência. Resta torcer para que ela seja suficientemente grande para impedir que o PT faça com o país o que fez durante os dois mandatos anteriores de Lula e os quase seis anos em que Dilma Rousseff esteve à frente do governo.