EDITORIAL DO X DA QUESTÃO – DIA 25.06.2026
A crônica de uma morte anunciada.
Poderia ser definida assim a tragédia que marcou os festejos juninos de Serra Talhada, na madrugada do dia 24, quando uma pessoa morreu e mais quinze ficaram feridas… e por incrível que pareça, poderia ter sido bem maior toda esta tragédia, e tudo, fruto de algo muito simples: falta de planejamento.
Já há algum tempo vem se registrando o descaso com a segurança nos eventos públicos do município, uma prática que se instalou desde o governo do agora deputado Luciano Duque, quando a gestão apela para o improviso e realiza, apostando na sorte, os eventos que reúne multidão e que estão, por isso mesmo sujeitos a algum tipo de tragédia como a que assistimos agora.
Não é uma questão de apontar erros por questões políticas, é apontar os erros, que são muitos e atinge diversas esferas, mas aponta-los desde o início. É aquela história de que um erro puxa o outro.
Há quanto tempo vimos daqui alertando para falta de planejamento da gestão?
Os eventos realizados pelo governo de Serra Talhada, principalmente na gestão atual, acontecem por gravidade.
Seja carnaval, são João, festa de setembro, natal, tudo acontece no improviso, e convenhamos, não temos nenhuma vocação para improvisadores, e assim sendo, é muito comum que o verso saia de pé-quebrado, ou seja, fora da métrica.
Nossos eventos são anunciados quase sempre, ou sempre mesmo, em clima da hora.
Vamos tomar por exemplo este evento de São João deste ano.
Enquanto todas as cidades da região anunciavam sua programação, aqui na nossa Serra Talhada nem se falava no assunto.
O anuncio da programação só veio acontecer depois de muitas cobranças. Quando a prefeita resolveu anunciar o São João, cidades vizinhas já estavam abrindo seus festejos.
E o que dá nisso (anunciar em cima da hora). Se dá que tudo é feito as carreiras, do jeito que dá. Desde a montagem, escolha do local, dos artistas e tudo mais, aí acontece destas coisas: montam a estrutura de som e palco e luz, e entrega a população no meio do tempo.
Faltam fechamentos, preparação de uma entrada onde possa se fazer revistas e uma filtragem mínima para garantir segurança aqueles que vão ali exatamente para se divertir.
Não podemos isentar a Polícia. Alguns erros têm que ser registrados. Temos que concordar que faltou um certo preparo, afinal o policial deve estar preparado para evitar tiroteio em meio a multidão, isso acontecendo, fatalmente pessoas inocentes serão atingidas, como foi o caso agora.
Também não podemos isentar a vítima fatal, que pelas informações é quem chegou atirando nos policias… o porquê ainda será investigado, mas é certo de que ele também é responsável por todo tumulto, correria e o medo que se instalou nos frequentadores.
É claro que não foi ele que feriu as 14 pessoas, mas provocou tudo isso.
Investigações dirão o que de fato aconteceu e indicará culpados.
Mas como falamos no início, tudo provocado pela falta de planejamento, pelo cuidado mínimo que poderia ter sido aplicado se o evento tivesse sido estudado, trabalhado observando-se todas as probabilidades.
É assim que deve ser. No planejamento deve se olhar o que pode dar errado, para então estudar o que fazer para evitar.
A prefeitura emitiu uma nota onde fala que a tragédia se tratou de um evento isolado, e de certa forma, mais adiante reconhece a necessidade de mais cuidados com a segurança. Tudo bem, é o protocolo, não fez mais do que a obrigação, mas só lembrando que isso não traz de volta a vida perdida nem as sequelas sofridas pelas vitimas feridas, inclusive cinco policiais.
Quanto ao ‘fato isolado’, é necessário que se reconheça que tivemos sorte até agora algo maior ainda não ter acontecido. Que sirva de lição esse episódio e que nossos gestores, estes de agora e os futuros atentem para tudo isso, e se debrucem na maneira de como realizar os ventos, focando não apenas no ganho político, mas principalmente no bem estar da população, para que novos fatos isolados se repitam..
Apesar do teor do editorial, não estamos tecendo críticas, estamos chamando atenção, e desta forma dando nossa colaboração.

